terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Uma breve análise ao Sistema Nacional de Educação

Estava sentado a ver o noticiário na nossa televisão pública, Televisão de Moçambique(TVM).

No desfecho, o jornalista anunciava um debete que ia ao ar mais tarde e cujo tema era a “escrita e a leitura” concretamente no ensino básico.

Inspirou-me tal maneira que comecei a refletir sobre o assunto e tomei a decisão de colocar a reflexão em escrita para que pudesse partilhar consigo.

A educação é a base de desenvolvimento de uma sociedade pois é ela que molda-a, os cidadãos, os quadros, etc, mas se ela não for de qualidade comprometemos o futuro da nação.

Foi recentemente (alguns anos) aprovado um novo programa curricular para o Sistema Nacional de Educação, que visa preparar os estudantes nas vertentes profissional e empreendedoras, segundo o discurso dos nossos governantes.

Estaremos diante de um discurso “politicamente correcto!

Vejamos...

Há cerca de 3 meses, um senhor, amigo, pediu que eu explicasse a cerca do novo plano curricular do ensino básico e na altura não pude satisfazer o seu desejo pois toda informação que eu tinha era a de senso comum, então ele deu-me a tarefa de investigar e apresentar-lhe os resultados.

Consegui uma brochura que trata do assunto e fui apresentar, depois de lido o senhor prometeu contactar-me e assim esperei.

Segundo o manual, o Sistema prevê passagens automática de 1ª à 5ª classes, o que quer dizer que se o aluno ou mesmo o professor for preguiçoso, o aluno traansita.
Será que estamos preparados para isso?

Teriamos de apresentar boas salas de aula, excelente programa pedagógico, material didático à altura, pois na minha óptica vai implantar a “preguiça” no seio dos docentes, pois estamos numa era em que ninguém vê a carreira como vocação, talvez seja um refúgio ao desemprego.

Vários são os professores que tem de dar dois ou tres turnos para tentar satisfazer as suas necessidades e com turmas de mais de 60 alunos, qual é o problema se todos vão passar?

São muitos os factores por de trás deste cenário.

Hoje é normal encontrar um estudante na 8ª classe que não saiba fazer uma redação, não conheça a tabuáda, com deficiencias na leitura.

Um dia passei por uma escola primária e coincidentemente, era o famoso dia de “passou chumbou” e tive a curiosidade de ver uma caderneta de um dos alunos e vi o seguinte: média anual 8, aproveitamento final: Progride!

É simplesmente alarmante!

Outro facto no Sistema Nacional de Educação, é no último ano de escolaridade, concretamente 12ª classe, em que foi introduzido o exame múltipla escolha, na perspectiva de preparar os estudantes para os exames de admissão ao ensino superior, pois é assim que os estudantes são examinados; para facilitar o processo de correcção, para reduzir o índice de fraude.

Não concordo muito...

Primeiro sinto que o poder de argumentação do aluno é limitado pois se limita a escolher uma opção e sem hipote-se de justificação da escolha;

Segundo, pode facilitar a corecção mas se o sistema falha, corremos o risco de assistir o que aconteceu no primeiro ano, em que os os alunos inscreveram-se para o exame de admissão ao ensino superior sem conhecer o resultado da 12ª classe;

Terceiro, penso que em relação à fraude, agora as hipóteses estão ampliadas, pois os estudantes vão ao exame com a resolução completa, pois há alguém de dentro que trás as mesmas.

Terminando...

Recorda-se do meu amigo?

Ele contactou-me telefonicamente e disse:

- Obrigado por ter procurado o documento, já li e tirei as conclusões do nosso Sistema Nacional de Educação!

E de seguida perguntou-me:

- Não sei se leu a última página?

Respondi-lhe que não e de seguida ele rematou:

- Está lá escrito REINO DOS PAISES BAIXOS, então não temos muito que comentar!